Promover a aprendizagem de línguas através da educação física
Resumo
Tal como o café, o exercício físico pode ajudar a despertar a função cognitiva. As aulas de educação física são, por isso, boas ocasiões para ensinar outras disciplinas. A professora Joana proporciona uma aprendizagem integrada de conteúdos e línguas ao combinar o ensino de vocabulário na língua inglesa com a corrida de obstáculos. Enquanto aprendem a modalidade de corrida com barreiras, os alunos competem em grupos pelo vocabulário em inglês. Além disso, também aprendem a utilizar códigos QR e realizam testes online. A professora Joana prepara os alunos para a aula através de um exercício de sala de aula invertida e acompanha os conhecimentos dos alunos antes, no início e no final da aula, para adaptar a sua prática pedagógica.
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Palavras-chave
Educação física, Plickers, testes online, sondagens de aula, línguas, cidadania digital, sala de aula invertida, CLIL
Referência rápida
Contexto
Sabia que é possível melhorar o conhecimento de línguas enquanto se faz uma corrida de obstáculos? A professora Joana Alice Marques Faria, do Agrupamento de Escolas de Idães, traz-nos um excelente exemplo de aprendizagem integrada de conteúdos e línguas (CLIL).
Tal como no cenário da Estónia sobre vocabulário relativo ao vestuário, o ensino de línguas em combinação com conteúdos de outra disciplina funciona muito bem porque contextualiza o material linguístico. Outra vantagem da educação física é o facto de manter os alunos fisicamente ativos, levando a um maior envolvimento.
A professora Joana combina a educação física com o ensino de vocabulário em inglês, utilizando o método de sala de aula invertida. Este método consiste numa abordagem pedagógica centrada no aluno, na qual os alunos aprendem os conteúdos fora do horário de aulas, deixando tempo de aula para participar em atividades de grupo, discussões, trabalho prático e projetos. Este método chama-se sala de aula “invertida" porque o que normalmente seria feito como trabalho de casa troca de lugar com o tempo de aula no decurso do qual o professor estaria a ensinar a matéria. “O método de sala de aula invertida promove a autonomia e o sentido de responsabilidade dos alunos", diz a professora Joana. "Também proporciona atividades práticas e os alunos tornam-se mais ativos. Tornam-se mais colaborativos, interessados e motivados".
Para monitorizar a aprendizagem dos alunos, a professora pede-lhes para fazerem testes online. A discussão sobre os resultados obtidos no Kahoot e no Plickers desperta os alunos para as suas dificuldades e, em consequência, mostram-se mais empenhados (Figura 1). A professora Joana também tem dois alunos com deficiência, por isso, assegura-se de que as atividades são inclusivas, pedindo-lhes que façam os testes, mas não os exercícios físicos.
Plickers é uma ferramenta de testes online na qual os alunos dão respostas às perguntas mostrando um cartão impresso com um código QR. Depois, a professora rapidamente digitaliza estes códigos com um tablet/smartphone e regista as respostas.
A professora Joana estabeleceu as seguintes metas de aprendizagem para si própria e para os seus alunos:
- Motivar os alunos a aprender vocabulário específico;
- Desenvolver a autonomia e responsabilidade dos alunos;
- Familiarizar os alunos com as ferramentas digitais: Códigos QR, Kahoot, Padlet e Plickers;
- Promover a colaboração entre colegas e a competitividade saudável;
- Proporcionar e melhorar as atividades práticas;
- Aumentar a motivação e o envolvimento dos alunos em atividades de aula;
- Respeitar o ritmo de aprendizagem dos alunos;
- Preparar cidadãos digitais.
A atividade
Antes da aula, a professora Joana enviou aos seus alunos um email com as seguintes instruções:
Tarefa 1. Instruções: "Consegues descobrir que modalidade iremos abordar em seguida? Lê atentamente a primeira tarefa, depois abre o Powerpoint "Let's Clil" que te enviei. Quando descobrires o nome da próxima modalidade, envia-me a resposta por email".
Os alunos descarregaram esta aplicação para ler os códigos QR. Depois, com a ajuda dos códigos QR e das pistas, deviam tentar descobrir a palavra oculta.
Tarefa 2. Instruções: “Lê atentamente a 2.ª tarefa. Se quiseres ver o vídeo, coloca o rato na ligação e carrega no botão do lado direito. Assiste os vídeos no Padlet para compreenderes tudo”. Os alunos visualiza os vídeos no Padlet, que mostram técnicas de corrida de barreiras.
Tarefa 3. Instruções: "Agora, abre a ficha de trabalho n.º 1. Lê-a atentamente para compreender o vocabulário e as técnicas". Os alunos leem a ficha de trabalho 1, onde constam os objetivos e o vocabulário.
Tarefa 4. Instruções: “Descarrega a ficha de trabalho n.º 2. Resolve-a e percebe se já conheces o vocabulário em inglês sobre a corrida de barreiras ou se precisas de estudar mais". Por último, os alunos preenchem a ficha de trabalho n.º 2 para avaliarem este vocabulário (corrida de barreiras).
No início, a professora Joana começa com um teste Plickers, para verificar se os alunos foram capazes de identificar a palavra relacionada com a modalidade desportiva. A professora verifica imediatamente os resultados, obtendo feedback geral sobre o que os alunos sabem e o que aprenderam até então. Estes resultados podem ser ou não partilhados com os alunos.
Depois de analisar os resultados, a professora cria novos grupos de trabalho, misturando os alunos que obtiveram bons resultados com os que obtiveram resultados mais fracos. Antes de avançar, pergunta aos alunos que tarefas realizaram, pede-lhes que assistam aos vídeos e chama a atenção para os temas sobre os quais têm menos conhecimentos.
Em seguida, os alunos competem em grupos pelo vocabulário inglês-português através de códigos QR e de listas (português). Durante as aulas, os conhecimentos dos alunos foram avaliados através do trabalho de grupo com o leitor de códigos QR. Esta atividade pretendia motivar os alunos a jogar, competir e fazer parte da equipa vencedora.
No final da aula, os grupos tinham entre 5 a 10 minutos para apresentar os conceitos discutidos. Os outros grupos avaliavam as apresentações, partilhando o que estava certo, o que estava errado e o que estava em falta, para que todos compreendessem a matéria.
Por último, os alunos testaram os seus conhecimentos através de um teste Kahoot (inglês). Este era um teste de conhecimento geral sobre corridas de barreiras, realizado em inglês. Os alunos podiam consultar a classificação obtida.
Figura 1 Um cartão de resposta Plickers. A aluna deve girar o cartão de modo a que a resposta selecionada (A-B-C-D) fique no topo.
Se o ensino presencial não for possível ou se os alunos precisarem de mudar para um ambiente de ensino híbrido, as atividades podem ser adaptadas de várias maneiras. Caso alguns alunos estejam em casa, os seus amigos ou pais/encarregados de educação podem filmar os exercícios. Estes podem ser enviados através de uma plataforma de partilha de ficheiros, uma ferramenta digital de gestão de aulas ou através do Padlet utilizado pelo professor. O professor e os colegas assistem aos vídeos e avaliam os exercícios. Poderá ser utilizada uma rubrica para a avaliação do professor e dos colegas neste exercício. Num ambiente totalmente online ou híbrido, em que não se pode utilizar os cartões Plickers, os testes poderão ser feitos em aula através de uma ferramenta de testes online.
Resultados e conclusões
Quer para os alunos, quer para os professores, existem várias vantagens em utilizar estas aplicações durante as aulas. Os alunos veem a atividade como um jogo divertido enquanto na realidade se encontram a aprender e a encontrar estratégias para avaliar os seus resultados e melhorar o seu desempenho. Como podem verificar e comparar os resultados, os alunos envolvem-se mais no processo de aprendizagem e tornam-se mais competitivos.
"As aplicações dão-me resultados imediatos relativamente às capacidades e conhecimentos dos alunos. Por vezes, os resultados dos testes (avaliação formativa) fazem-me mudar o plano que tinha em mente. Nesse momento, reflito sobre o que está a acontecer e, mais tarde, continuo a minha própria avaliação sobre o desenvolvimento das aulas e dos resultados dos alunos. Desta forma, as minhas aulas são planeadas tendo em consideração os conhecimentos ainda em falta e as necessidades existentes, para poder proporcionar experiências de aprendizagem significativas", diz a professora Joana.
A professora Joana tem mais motivação para utilizar ferramentas web em outras aulas. "Desde que vejo um maior entusiasmo entre os meus alunos, sou da opinião de que devo tornar as minhas aulas mais inovadoras através das ferramentas web 2.0. Hoje em dia, os dispositivos tecnológicos estão no centro da vida dos adolescentes. Por um lado, ficam mais motivados e empenhados. Por outro lado, são cidadãos do século XXI, e é dever do professor prepará-los para o ambiente tecnológico que terão de enfrentar quando saírem da escola”.