Grupo de Trabalho Internível e Interdisciplinar Actitudes
Resumo
O Grupo de Trabalho Actitudes é uma organização sem fins lucrativos composta por profissionais e investigadores em educação, que leva a cabo atividades de inovação e investigação para melhorar as práticas educativas. O grupo tem como objetivo promover a avaliação das competências essenciais dos alunos e a avaliação formativa. Baseia o seu trabalho numa metodologia designada “Estilo Atitudinal” que compreende três dimensões: competências, aprendizagem autorregulada e avaliação formativa. Coloca a ênfase na inclusão, em experiências positivas e no trabalho em grupo entre os alunos para aumentar a motivação para a aprendizagem. O grupo criou um sítio web para partilhar a sua investigação e recursos para professores.

zldrawings.com - Zsofi Lang
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O contexto político
A educação em Espanha e na Europa caminha para um ensino mais baseado em competências. As experiências e a investigação realizadas em Espanha demonstram também a importância do desenvolvimento da avaliação formativa. A intenção da avaliação formativa é responder às necessidades individuais de uma turma e desenvolver a autonomia e as competências de autorregulação dos alunos.
O Ministério da Educação e Formação Profissional (EFP) de Espanha considera importante que os professores não só incluam a tecnologia na sua prática educativa quotidiana, mas também na avaliação dos resultados dos alunos. As competências digitais e de “aprender a aprender” são essenciais e obrigatórias.
Os professores em Espanha fazem formação regular na utilização de ferramentas de acesso livre e de código aberto para o ensino e a avaliação. Cada região de Espanha possui as suas próprias plataformas e condições de utilização de recursos digitais. Deve ser, por conseguinte, oferecido aos professores algo mais do que plataformas ou aplicações para trabalhar em estratégias comuns relacionadas com a avaliação.
O Grupo de Trabalho Actitudes é uma organização sem fins lucrativos criada em 2007, composta por profissionais e investigadores em educação. A maioria dos membros passou por um processo de formação específico, incluindo autorregulação, metodologias ativas, desenvolvimento de competências e estratégias de avaliação formativa. Além disso, uma percentagem significativa dos membros dá formação a professores, como formadores. Outra parte do grupo é responsável por atividades de investigação e publicações científicas e pedagógicas.
O grupo dispõe de inúmeros recursos no sítio web relacionados com a avaliação de competências desenvolvidas através da avaliação formativa. Estes são partilhados, a título gratuito, para que qualquer professor possa utilizá-los e adaptá-los livremente.
O grupo tem uma vasta bibliografia que apresenta boas práticas em todos os níveis de ensino. O grupo desenvolveu igualmente um projeto de integração de competências (em espanhol). Este projeto visa promover a integração de competências essenciais nos currículos escolares, com base numa sequência de competências organizadas por ciclos e cursos.
Um livro publicado pelo grupo (em espanhol), intitulado MITAA (sigla em espanhol para “Modelo integral para uma transição ativa para a autonomia”), apresenta aos professores formas de integrar a aprendizagem baseada em competências, em que a avaliação formativa desempenha um papel central. O Grupo de Trabalho Actitudes propõe que a avaliação formativa seja a primeira mudança metodológica para envolver mais os alunos na sua aprendizagem. Neste sentido, MITAA é uma abordagem que sugere a implementação regular da avaliação formativa, sobretudo quando o objetivo é desenvolver competências essenciais, como “aprender a aprender”.
O Estilo Atitudinal (página web em espanhol) consiste numa abordagem tridimensional (desenvolvimento de competências, autorregulação e avaliação formativa) definida pelo grupo de trabalho. O desenvolvimento da autonomia, baseado em processos de autorregulação, exige dois elementos fundamentais: a) a utilização de planificadores que permitem aos alunos organizar o trabalho tanto na sala de aula como em casa, se as tarefas programadas não forem concluídas, e b) o recurso a instrumentos de avaliação que criam autonomia na obtenção de informações sobre as atividades realizadas.
O grupo propõe que a avaliação seja participativa, em que o professor e o aluno trabalham juntos em todos os seus aspetos. A autoavaliação, a avaliação interpares, a avaliação no âmbito de um grupo de trabalho (autoavaliação intra grupo), entre os grupos (avaliação inter grupo pelos pares) ou a avaliação do professor envolvem todos os intervenientes na aula. A avaliação dos professores deve ser comparada com a autoavaliação dos alunos. Quanto menos diferenças houver entre ambas, mais ajustada é a capacidade dos alunos para realizar avaliações precisas do seu próprio trabalho, o que é essencial para o desenvolvimento eficaz da autonomia do aluno.
Ao tornar a avaliação uma prática regular, tanto os professores como os alunos podem melhorar a sua reflexão sobre a aprendizagem, bem como dar e receber feedback que contribui para alcançar melhorias. Por último, o objetivo do Estilo Atitudinal é promover a inclusão nas turmas e garantir que todos os alunos tenham experiências positivas, o que também promove a colaboração entre colegas.
O grupo de trabalho pretende promover os seguintes princípios educativos:
1) Redução da intervenção autoritária dos professores: os professores dão menos explicações e as explicações são sempre orientadas para novos elementos para os alunos.
2) Participação responsável na aprendizagem: os alunos tomam decisões sobre aspetos relevantes para a sua aprendizagem, tanto relacionados com a organização como com a avaliação das suas tarefas.
3) Planeamento autónomo: os alunos realizam um planeamento prévio das tarefas da sua unidade, que devem posteriormente concluir e avaliar diariamente com base em planos de trabalho individuais.
4) Autogestão dos trabalhos de casa: os alunos são capazes de gerir o contexto em que os trabalhos de casa são realizados (em casa ou na aula), favorecendo assim a redução do volume de trabalhos de casa.
5) Autocorreção de tarefas: podem ser usados diferentes instrumentos de avaliação mediante a escolha dos professores (listas de verificação, escalas verbais, escalas de avaliação, etc.) para agilizar o trabalho dos docentes durante as aulas.
6) Avaliação formativa contínua e partilhada: transformar a avaliação formativa numa prática quotidiana ajuda os alunos a entender que a avaliação pode gerar e melhorar a aprendizagem.
7) Gestão eficaz do tempo: talvez um dos maiores problemas no desenvolvimento da autonomia, uma vez que, por norma, os alunos não gerem bem o tempo. Desta forma, o tempo letivo será mais bem aproveitado.
8) Aprendizagem contextualizada e individualizada: são atribuídas tarefas a cada aluno de acordo com as suas necessidades e capacidades. Aprender a utilizar e a gerir um planificador, associado à seleção de atividades obrigatórias, opcionais e complementares, permite que os professores se adaptem às necessidades e aos interesses dos alunos.
9) Tratamento inclusivo da diversidade: todos os profissionais que desempenham funções de apoio são incentivados a permanecer o maior tempo possível na sala de aula. São estimulados, assim, o ensino individual e conjunto, centrados no aluno.
10) Proporcionar um ambiente de trabalho autónomo: os materiais necessários à realização das tarefas, incluindo instrumentos de avaliação, estão à disposição dos alunos desde o primeiro dia.
É essencial envolver os alunos na sua aprendizagem através da avaliação, mas são necessárias várias condições:
- Os instrumentos devem descrever claramente o que deve ser avaliado e o que deve ser alcançado como máximo e mínimo em cada aspeto avaliado.
- Os instrumentos (por exemplo, grelhas) devem ser adaptados ao nível de exigência do ciclo ou curso em questão.
- Os alunos devem ter estes instrumentos à disposição desde o início da atividade para realizarem regularmente a autoavaliação e a avaliação interpares.
Caso existam competências e atividades transversais avaliadas em diversas disciplinas, os instrumentos de avaliação devem ser consistentes na forma como as descrevem. Caso contrário, haverá incoerência entre as avaliações feitas por diferentes professores para atividades semelhantes.
Investigação – Autoavaliação e avaliação pelos pares e por especialistas
Segundo a análise bibliográfica de Panadero et al. (2013), as grelhas proporcionam transparência aos alunos sobre a forma como são avaliados, o que ajuda a reduzir a sua ansiedade e a criar autoeficácia. Os alunos também usam as grelhas como uma ferramenta de autorregulação. Por exemplo, planeiam e reveem o seu próprio trabalho antes de enviá-lo ou antes de dar feedback aos colegas.
A capacidade para regular a própria aprendizagem é crucial para o sucesso em ambientes de aprendizagem online. Uma autorregulação eficaz inclui: 1) capacidade para definir metas; 2) controlo dos próprios processos e estratégias de aprendizagem; 3) feedback; e 4) autoavaliação (Steffens, 2006). A utilização de grelhas pode também ajudar a desenvolver a autorregulação em ambientes digitais.
A avaliação interpares também é importante, mas como Barber et al. (2015) sugerem, os avaliadores principiantes têm de desenvolver competências para prestar feedback relevante, com sugestões de melhoria específicas. As opiniões e as sugestões dos professores sobre as etapas de aprendizagem seguintes, recurso a exemplos, a avaliação interpares estruturada (por exemplo, utilizando grelhas e listas de verificação) podem apoiar os alunos à medida que desenvolvem competências de aprendizagem autorregulada.
As grelhas são úteis porque fornecem aos alunos descrições claras dos parâmetros alcançados e dos que podem ser melhorados. No entanto, quando a grelha é utilizada para a classificação e são adaptados critérios qualitativos a valores quantitativos, o resultado é muitas vezes irrealista. A experiência do grupo de trabalho na formação de professores ajudou-os a perceber que muitos professores, quando estabelecem níveis de desempenho (descritores que identificam o aproveitamento dos alunos), chegam a uma avaliação numérica que não corresponde ao que teriam valorizado globalmente. Admitiram ter alterado as classificações anteriores para que a avaliação acabasse por ser a mais adequada possível.
Tal indica que o instrumento não responde às necessidades dos professores. Deste modo, o grupo de trabalho desenvolveu duas grelhas alternativas: escalas de avaliação e escalas de classificação. Para ilustrar estas grelhas e escalas, consultar um exemplo de tutoriais de vídeo e um exemplo de tensionamento de cabos.
A escala de avaliação (artigo em espanhol) permite maior precisão na definição de descritores e dos níveis de desempenho. Basicamente, permite que um professor atribua ponderações diferentes a cada descritor (cada um pode representar uma percentagem diferente da classificação total). Cada descritor é subdividido no maior número possível de níveis de desempenho para identificar o referido desempenho. Além disso, podem ser estabelecidos requisitos mínimos de desempenho para uma avaliação positiva, o que é muito útil para determinar o que foi alcançado e o que ainda tem de ser alcançado. O sítio web do grupo Actitudes apresenta exemplos de como aplicar grelhas (em espanhol).
Noutros casos, é necessário um certo grau de flexibilidade para avaliar o trabalho dos alunos com um fator de criatividade ou originalidade, sem deixar de ser objetivo. Nestes casos, não se afigura adequado tentar avaliar numericamente estes aspetos e, em geral, não se deve ser mais específico do que em relação aos aspetos mais técnicos e objetivos.
Na escala de classificação (artigo em espanhol), a descrição dos níveis de desempenho permanece a mesma que nas grelhas, mas os níveis estão organizados por secções. Assim, resolve-se o problema de imprecisão na identificação de alguns aspetos. Torna-se igualmente possível que seja dada prioridade a um determinado aluno quando os seus progressos académicos estão apenas no início (para alguns alunos, pode ser importante ter essa flexibilidade sem “mentir” sobre as avaliações). Quando o aluno melhorou bastante (principalmente em termos de motivação), este pode ser um instrumento perfeito para motivá-lo. Também é útil quando a atividade do aluno apresenta um aspeto criativo que deve ser reconhecido.
Conclusão
O sítio web já ultrapassou 400 000 visitas de mais de 50 países. Os estudos revelam que o Estilo Atitudinal pode aumentar a autonomia dos alunos. Os professores que utilizam processos de aprendizagem autorreguladores associados à avaliação formativa afirmam que o trabalho dos alunos se torna muito mais eficaz e que é possível aproveitar melhor o tempo letivo. Além disso, permitem que os professores dediquem mais atenção individual aos alunos que mais precisam dela.
Um estudo recente realizado pela Rede de Diálogo Educativo (REDE) com 10 000 participantes (professores e famílias) revelou que a autorregulação não está suficientemente contemplada no currículo. Porém, cada vez mais professores têm vindo a integrar as propostas do Grupo de Trabalho Actitudes na sua prática quotidiana.
Os pais que participaram nos projetos do grupo de trabalho referiram que notam melhorias evidentes nos filhos, não apenas a nível académico, mas também em termos de comportamento. Os alunos tornam-se mais responsáveis, organizados, cientes dos fatores que contribuem para a aprendizagem e até tomam a iniciativa de aplicar estratégias de estudo em casa.
Os instrumentos de planeamento e avaliação auxiliam as famílias a acompanhar de perto o desempenho dos filhos, libertando-lhes tempo, devido à melhoria da capacidade dos alunos para trabalhar de forma autónoma. Os planos e instrumentos fornecem informações muito úteis para as famílias saberem que aspetos cada criança deve melhorar e, deste modo, ajudam-nas a orientar melhor os seus esforços.
Uma organização interdisciplinar, como a proposta pelo Grupo de Trabalho Actitudes, pode trazer muitos benefícios para a política educativa. Em primeiro lugar, pode promover o diálogo entre todos os intervenientes no processo educativo, aproximando alunos, pais, investigadores, legisladores e professores. Em segundo lugar, pode facultar aos profissionais (professores e formadores de professores) o conhecimento de boas práticas baseadas em exemplos concretos. Por último, pode facilitar a partilha de ideias entre várias instituições de investigação e formação, além de promover a inovação.